A Verdade (Real) sobre os Multivitamínicos: O que sua pílula diária pode e não pode fazer por você

A Verdade (Real) sobre os Multivitamínicos: O que sua pílula diária pode e não pode fazer por você

Um guia divertido e cheio de fatos sobre multivitamínicos 

Então você pega aquela pílula coloridinha toda manhã, engole com seu suco de laranja e sente que acabou de fazer algo ótimo para a sua saúde. Você até pode fazer pose no espelho. A gente entende. Mas aqui está a verdadeira pergunta: esse multivitamínico está realmente fazendo alguma coisa por você? A resposta, ao que parece, depende totalmente de quem você é.

Multivitamínicos são os suplementos mais vendidos do mundo. Milhões de pessoas os engolem todos os dias, acreditando que estão comprando um seguro de saúde em forma de comprimido. Às vezes elas estão certas. Às vezes estão jogando dinheiro fora. E às vezes, acredite ou não, o comprimido pode até causar danos. Este guia vai te conduzir por tudo o que você precisa saber, com a ciência para sustentar e humor suficiente para te manter acordado.

Parte 1: A Grande Decepção (Para a maioria dos adultos saudáveis)

Vamos começar com a verdade desconfortável que as empresas de suplementos não colocam em seus rótulos.

Em 2022, o U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) revisou 84 estudos envolvendo mais de 739.000 pessoas. A conclusão? Para adultos saudáveis que comem uma dieta razoavelmente equilibrada, multivitamínicos não previnem doenças cardíacas, não previnem a morte e, quase certamente, não previnem câncer de forma significativa.

O que foi estudado

Número de estudos

Principal achado

Mortalidade por todas as causas (morrer de qualquer causa)

9 ECRs, 51.550 pessoas

Nenhum benefício significativo (OR 0.94)

Morte por doença cardiovascular

Múltiplos ECRs

Nenhum benefício significativo (OR 0.94)

Incidência de câncer

4 ECRs, 48.859 pessoas

Redução mínima de 0.7%; não está claro se é significativa

Mortalidade por câncer

Múltiplos ECRs

Nenhum benefício significativo

O que significa OR 0.94? Uma razão de chances (OR) de 0.94 significa que há aproximadamente 6% menos chance do desfecho em comparação ao placebo. No entanto, se esse resultado inclui 1.0 dentro de sua faixa (o intervalo de confiança de 95%), ele não é estatisticamente significativo. Pense nisso como um cara ou coroa que favorece ligeiramente a cara, mas não o suficiente para apostar sua casa nisso.

Houve um pequeno achado digno de nota: uma leve redução na incidência de câncer, com uma redução absoluta de risco de apenas 0.2% a 1.2%. No entanto, os pesquisadores não ficaram convencidos de que isso fosse real, porque isso não apareceu nas taxas de morte por câncer. Se as vitaminas estivessem realmente prevenindo o câncer, seria de se esperar que tanto as taxas de câncer quanto as mortes por câncer caíssem juntas.

O maior estudo individual, chamado COSMOS, acompanhou mais de 21.000 pessoas por 3.6 anos e não encontrou efeito na sobrevivência geral. Então, se você é um adulto saudável, come uma dieta decente e toma um multivitamínico esperando viver para sempre, a ciência diz: boa tentativa.

Resumo para adultos saudáveis Multivitamínicos de rotina NÃO previnem doenças cardíacas, não reduzem significativamente o risco de câncer nem prolongam a vida de adultos saudáveis com dietas equilibradas. O USPSTF emitiu uma declaração 'I', o que significa que as evidências são insuficientes para recomendá-los na prevenção de doenças.

Parte 2: Um ponto positivo (Seu cérebro pode até gostar deles)

Antes de jogar suas vitaminas fora, espere. Há um achado genuinamente empolgante: multivitamínicos podem ajudar adultos mais velhos a se lembrar das coisas melhor.

Um estudo chamado COSMOS-Mind testou 3.562 adultos mais velhos e descobriu que tomar um multivitamínico diário (Centrum Silver) melhorou a memória episódica, que é a capacidade de lembrar eventos e experiências específicas. Após 3 anos de acompanhamento, a melhora foi equivalente a cerca de 3.1 anos de mudança de memória relacionada à idade revertida. Isso é significativo.

Um estudo complementar encontrou melhorias na função cerebral geral, com efeitos mais fortes em pessoas que tinham doença cardiovascular. No entanto, e isso é importante, multivitamínicos NÃO reduziram o risco de desenvolver demência ou comprometimento cognitivo leve. Então eles podem deixar sua mente mais afiada, mas não são um escudo contra a doença de Alzheimer.

Melhora da memória: real, mas limitada O estudo COSMOS-Mind encontrou melhora da memória episódica com o equivalente a 3.1 anos de envelhecimento revertido após 3 anos de uso. Isso é promissor, mas não significa que as vitaminas previnam demência. Pense nisso como uma pequena revisão no seu cérebro, e não como uma troca completa de motor.

Parte 3: Pessoas que REALMENTE precisam de multivitamínicos

Agora é aqui que as coisas ficam interessantes. Enquanto adultos saudáveis com boa alimentação ganham pouco benefício, certos grupos de pessoas realmente precisam de suplementação. Pular vitaminas nessas populações pode levar a sérios problemas de saúde.

1. Mulheres grávidas e aquelas tentando engravidar

A gravidez é nutricionalmente intensa. Criar um ser humano do zero é, ao que parece, bastante exigente. O suplemento mais crítico é o ácido fólico, que previne defeitos do tubo neural (problemas graves no cérebro e na coluna do bebê). A evidência aqui é extremamente sólida, com uma redução de 70% na recorrência mostrada em ensaios randomizados.

O momento ideal para começar? Três meses antes da concepção. Sim, antes mesmo de você estar grávida. Porque, quando a maioria das pessoas descobre que está esperando um bebê, o tubo neural já se formou.

Nutriente

Quantidade diária necessária na gravidez

Por que isso importa

Ácido fólico

0.8 mg por dia

Previne defeitos do tubo neural

Ferro

27 mg por dia

Previne baixo peso ao nascer e parto prematuro

Iodo

250 mcg por dia

Desenvolvimento cerebral e da tireoide do feto

Cálcio

1,000 mg por dia

Desenvolvimento ósseo do bebê

Vitamina D

600 UI por dia

Absorção de cálcio e saúde óssea

Vitaminas pré-natais funcionam Cerca de 75% das mulheres grávidas já tomam vitaminas pré-natais, e estudos confirmam que elas reduzem o risco de baixo peso ao nascer em comparação com tomar ferro ou ácido fólico isoladamente. As vitaminas pré-natais são um dos usos de suplementação mais claramente embasados em evidências em toda a medicina.

2. Mães que amamentam

As necessidades nutricionais são, na verdade, ainda maiores durante a amamentação do que na gravidez. O bebê depende totalmente do leite materno, e o leite materno depende totalmente do que a mãe come e absorve. O leite materno é naturalmente pobre em vitamina D, então os bebês precisam de um suplemento separado de vitamina D de 400 UI por dia.

Mães veganas que amamentam devem ter cuidado especial com a vitamina B12. A deficiência no bebê pode causar danos neurológicos permanentes e atrasos no desenvolvimento. Não é um risco para se brincar.

3. Adultos com mais de 60 anos

Envelhecer é um privilégio, mas vem com um porém: seu estômago fica menos eficiente. O revestimento do estômago gradualmente se torna menos ácido (uma condição chamada gastrite atrófica), o que significa que você absorve vitamina B12 dos alimentos de forma muito menos eficaz.

Cerca de 6% das pessoas com mais de 60 anos e 20% daquelas com mais de 85 anos têm níveis clinicamente baixos de B12. Quando você inclui marcadores sensíveis como homocisteína e ácido metilmalônico, as taxas de deficiência sobem para 43% em adultos mais velhos.

Por que isso importa? A deficiência de vitamina B12 causa sintomas neurológicos que podem parecer muito com demência: perda de memória, confusão, problemas de equilíbrio, depressão e danos nos nervos das mãos e dos pés. A parte assustadora é que o dano nervoso pode se tornar permanente se não for tratado por tempo suficiente. A suplementação precoce pode prevenir danos irreversíveis.

O alerta sobre B12 para adultos mais velhos A deficiência de B12 é traiçoeira. Ela pode causar sintomas neurológicos antes que a anemia apareça. Os sintomas incluem comprometimento cognitivo, depressão, problemas de equilíbrio e neuropatia periférica (formigamento nos pés e nas mãos). Adultos mais velhos devem garantir que seu multivitamínico contenha pelo menos 25 mcg de B12, ou considerar um suplemento separado de 500 a 1.000 mcg por dia.

4. Veganos e vegetarianos estritos

Aqui está uma verdade inconveniente para o pessoal baseado em plantas: a vitamina B12 existe exclusivamente em produtos de origem animal. Sem plantas, sem alimentos fortificados sem conferir o rótulo, sem exceções. Ponto final.

Entre veganos, 52% têm deficiência de vitamina B12. Entre vegetarianos, 7% têm deficiência. Sem suplementação, uma dieta vegana é nutricionalmente incompleta, independentemente de quão coloridos e orgânicos sejam os vegetais.

Nutriente

Nível de risco para veganos

Suplemento recomendado

Vitamina B12

Muito alto (52% com deficiência)

500 a 1.000 mcg por dia

Vitamina D

Alto (fontes alimentares limitadas)

1.000 a 2.000 UI por dia

Ferro

Moderado (menor absorção a partir de plantas)

18 mg (se for mulher pré-menopausa)

Zinco

Moderado

11 mg por dia

Iodo

Moderado

150 mcg por dia

Ômega-3 (DHA/EPA)

Alto (sem peixe)

Suplemento à base de algas de 200 a 300 mg

5. Pessoas em medicamentos específicos

Alguns medicamentos roubam vitaminas do seu corpo como efeito colateral. Isso não é amplamente discutido, mas está bem documentado na literatura médica.

Medicamento

Nutriente em risco

O que fazer

Metformina (medicamento para diabetes)

Vitamina B12 (19.1% desenvolvem níveis baixos)

Monitorar B12 anualmente; suplementar se necessário

Inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol)

B12, ferro, cálcio, magnésio

Monitorar os níveis após 12 meses de uso

Anticonvulsivantes (fenitoína, carbamazepina)

Vitamina D

Monitorar e suplementar até 4,000 UI por dia

Corticosteroides (prednisona)

Vitamina D, cálcio, potássio, zinco

Suplementar cálcio e vitamina D rotineiramente

Varfarina (anticoagulante)

Interage com a vitamina K

Manter ingestão consistente de vitamina K; não mudar de repente

Metformina e B12: um problema oculto A metformina, um dos medicamentos para diabetes mais prescritos no mundo, causa deficiência de vitamina B12 em aproximadamente 1 em cada 10 pessoas que a usam. O risco aumenta com doses acima de 2.000 mg por dia e após mais de 2 anos de uso. Se você toma metformina, pergunte ao seu médico sobre monitoramento anual de B12.

6. Pacientes pós-cirurgia bariátrica

Pessoas que fizeram cirurgia para perda de peso (bypass gástrico, gastrectomia vertical) experimentam mudanças significativas na forma como o sistema digestivo absorve nutrientes. Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e vitamina B12 estão particularmente em risco. Esses pacientes normalmente precisam de suplementação vitalícia e monitoramento regular dos níveis de vitaminas.

7. Pessoas com condições de má absorção

Condições como doença de Crohn, doença celíaca e pancreatite crônica danificam as partes do intestino responsáveis por absorver nutrientes. Pessoas com comprometimento do íleo (parte inferior do intestino delgado) por doença de Crohn muitas vezes não conseguem absorver B12 de suplementos orais de jeito nenhum e podem precisar de injeções mensais.

Parte 4: Quando as vitaminas viram vilãs

Esta é a parte que pode te surpreender. Vitaminas não são só sol e pele brilhando. Em populações específicas, certos suplementos são genuinamente perigosos.

Betacaroteno e fumantes: o erro fatal

Betacaroteno é o pigmento laranja encontrado em cenouras e batata-doce. Quando você o consome nos alimentos, tudo bem. Quando fumantes tomam isso como suplemento, algo dá muito errado.

Em grandes ensaios clínicos, incluindo o estudo ATBC e o estudo CARET, suplementos de betacaroteno dados a fumantes e pessoas expostas ao amianto aumentaram o risco de câncer de pulmão em 18% a 28%. Eles também aumentaram as mortes por doenças cardiovasculares. Quanto mais a pessoa fumava e quanto mais bebia álcool, pior era o efeito.

O USPSTF agora dá ao betacaroteno uma recomendação Grau D, o que significa que eles recomendam ativamente contra seu uso. Este é um dos alertas mais fortes em medicina de suplementos.

Betacaroteno + tabagismo = combinação perigosa Suplementos de betacaroteno AUMENTAM significativamente o risco de câncer de pulmão em fumantes (OR 1.20) e a mortalidade cardiovascular (OR 1.10). Fumantes e qualquer pessoa exposta ao amianto devem evitar multivitamínicos que contenham betacaroteno. Comer cenouras continua sendo seguro. O problema é a forma em suplemento.

Vitamina A: mais definitivamente não é melhor

A vitamina A é lipossolúvel, o que significa que seu corpo a armazena em vez de eliminar o excesso. Isso facilita o acúmulo em níveis tóxicos.

Em mulheres grávidas, doses de vitamina A tão baixas quanto 25.000 UI por dia foram associadas a defeitos congênitos que afetam o cérebro, o crânio e o rosto do bebê em desenvolvimento. O limite superior seguro da FDA para mulheres adultas é de cerca de 10.000 UI por dia.

Em adultos mais velhos, a ingestão alta de vitamina A (acima de 10.000 UI por dia) aumenta o risco de fraturas de quadril ao reduzir a densidade óssea.

Em crianças, a toxicidade da vitamina A pode fazer com que os ossos parem de crescer prematuramente e pode aumentar a pressão dentro do crânio, causando dores de cabeça intensas e abaulamento da fontanela em bebês.

Vitamina E: sem benefícios, riscos reais

Nove ensaios clínicos randomizados envolvendo mais de 107.000 participantes mostraram que a vitamina E não previne doenças cardíacas nem câncer. No entanto, doses de 111 a 200 UI por dia aumentaram o risco de acidente vascular cerebral hemorrágico (sangramento no cérebro) em alguns ensaios. O USPSTF também recomenda contra a suplementação de vitamina E para prevenção de doenças (recomendação Grau D).

Ferro: um herói que pode virar vilão

O ferro é essencial para transportar oxigênio no sangue. Também é a causa mais comum de internações relacionadas a suplementos em crianças. As crianças representam 41.5% de todas as exposições a vitaminas e minerais relatadas aos centros de controle de intoxicações, e o ferro responde por 38% das internações por eventos adversos relacionados a suplementos.

Para adultos com uma condição genética chamada hemocromatose hereditária (distúrbio de sobrecarga de ferro), até doses padrão de ferro em multivitamínicos podem causar danos ao coração, fígado e glândulas produtoras de hormônios. Essas pessoas devem evitar completamente suplementos que contenham ferro.

Suplementos orais de ferro também causam problemas estomacais em um número significativo de pessoas: constipação ocorre em 12% dos usuários, náusea em 11% e diarreia em 8%. Cerca de metade das pessoas que recebem suplementos de ferro para de tomá-los por causa desses efeitos colaterais.

Suplemento

Perigoso para quem

Risco específico

Betacaroteno

Fumantes, trabalhadores expostos ao amianto

Até 28% de aumento no risco de câncer de pulmão

Vitamina A (dose alta)

Mulheres grávidas, idosos, crianças

Defeitos congênitos, fraturas de quadril, parada do crescimento

Vitamina E (dose alta)

Qualquer pessoa tomando anticoagulantes

Aumento do risco de AVC hemorrágico

Ferro

Crianças, pacientes com hemocromatose

Intoxicação em crianças; danos a órgãos na sobrecarga de ferro

Vitamina D (excessiva)

Pacientes com doença renal

Hipercalcemia, cálculos renais

Ácido fólico (dose alta)

Adultos mais velhos com risco de deficiência de B12

Mascaramento da deficiência de B12 enquanto o dano neurológico continua

Parte 5: Quando suas vitaminas brigam com seus medicamentos

Aqui está algo em que muitas pessoas nunca pensam: vitaminas e medicamentos podem interagir de maneiras que são genuinamente problemáticas. Isso é especialmente importante em adultos mais velhos que tomam vários medicamentos.

O problema da varfarina

A varfarina (um anticoagulante) funciona bloqueando os efeitos da vitamina K na coagulação do sangue. Se você aumentar repentinamente a ingestão de vitamina K por meio de suplementos ou mudanças na dieta, seu sangue pode coagular mais facilmente. Se você a reduzir de repente, seu sangue pode ficar perigosamente fino. A chave é a consistência. Pacientes em uso de varfarina não precisam evitar vitamina K, mas precisam manter a ingestão estável e monitorar o INR (um exame de sangue que mede o tempo de coagulação) com mais frequência quando a dieta ou a rotina de suplementos muda.

Levotiroxina e as guerras dos minerais

A levotiroxina é um hormônio de reposição da tireoide usado por milhões de pessoas com hipotireoidismo. Ela tem uma margem muito estreita entre pouco e demais. Vários minerais em multivitamínicos, incluindo cálcio, ferro, magnésio, zinco e cromo, se ligam fisicamente à levotiroxina no estômago e impedem que ela seja absorvida adequadamente. O resultado é hipotireoidismo mal tratado: fadiga, ganho de peso e sensação de estar péssimo. A solução é simples: tome levotiroxina em jejum pela manhã e espere pelo menos quatro horas antes de tomar seu multivitamínico.

Antibióticos fluoroquinolonas e minerais

Antibióticos como ciprofloxacino e levofloxacino formam ligações físicas (complexos de quelação) com o cálcio, ferro, magnésio e zinco dos multivitamínicos. Se você tomar o antibiótico e a vitamina ao mesmo tempo, o antibiótico pode não ser absorvido o suficiente para combater sua infecção. A regra: tome o antibiótico 2 horas antes ou 6 horas depois do seu multivitamínico. Isso não é opcional se você quer que o antibiótico funcione.

O momento certo é tudo Muitas interações entre medicamentos e nutrientes podem ser completamente evitadas apenas ajustando corretamente o horário dos suplementos. Tome levotiroxina logo de manhã, sozinha. Tome ferro com vitamina C, mas longe do cálcio. Tome antibióticos bem antes ou depois do multivitamínico. Uma pequena mudança no horário pode fazer uma grande diferença em quão bem seus medicamentos funcionam.

Parte 6: Os três grandes suplementos que valem a pena mencionar

Vitamina D: a vitamina do sol que todos estamos perdendo

A vitamina D é, sem dúvida, a deficiência nutricional mais comum na sociedade moderna. Todo adulto acima de 51 anos obtém vitamina D insuficiente apenas pela dieta. Nosso estilo de vida em ambientes fechados e o uso de protetor solar tornaram a luz do sol uma fonte menos confiável. Pessoas com pele mais escura, aquelas em climas ao norte e adultos mais velhos estão particularmente em risco.

Níveis baixos de vitamina D estão associados a ossos fracos, aumento do risco de fraturas, fraqueza muscular e pior função imunológica. O tratamento para deficiência documentada envolve 50.000 UI por semana por 8 semanas ou 5.000 UI por dia por 8 semanas, seguido de doses de manutenção de 1.500 a 2.000 UI por dia.

Importante: a vitamina D3 (colecalciferol) é significativamente melhor do que a vitamina D2 (ergocalciferol) para elevar e manter os níveis de vitamina D no sangue. Sempre escolha D3 ao comprar.

Vitamina B12: a vitamina da energia e do cérebro

A B12 é essencial para produzir glóbulos vermelhos, manter a cobertura protetora ao redor das células nervosas (chamada mielina) e sintetizar DNA. Sem B12 suficiente, o dano aos nervos progride silenciosamente antes que qualquer exame de sangue o detecte.

A boa notícia: suplementos orais de B12 funcionam bem mesmo em pessoas com absorção prejudicada, porque doses altas (1.000 a 2.000 mcg por dia) permitem absorção passiva pela parede intestinal, sem precisar da proteína do estômago que normalmente ajuda a levar a B12 para a corrente sanguínea. Formas sublinguais (debaixo da língua) ou injetáveis ficam reservadas para casos graves.

Ácido fólico: a vitamina que protege o bebê com um detalhe escondido

O ácido fólico é essencial para prevenir defeitos do tubo neural na gravidez, reduzindo a recorrência em 70% em ensaios randomizados. Toda mulher em idade fértil que possa engravidar deve tomar 400 a 800 mcg de ácido fólico por dia, idealmente começando três meses antes da concepção.

No entanto, há um detalhe importante: doses altas de ácido fólico acima de 400 mcg podem mascarar a deficiência de vitamina B12. Veja como: a deficiência de B12 causa tanto anemia (baixa de glóbulos vermelhos) quanto dano nervoso. O ácido fólico pode corrigir a parte da anemia e fazer o exame de sangue parecer normal, mas o dano nervoso continua nos bastidores. Quando alguém percebe o que está acontecendo, o dano nervoso pode ser irreversível. Por isso, os médicos devem sempre descartar deficiência de B12 antes de prescrever ácido fólico em dose alta, especialmente em adultos mais velhos.

Parte 7: Como comprar multivitamínicos de forma inteligente

Se você decidiu que um multivitamínico faz sentido para você, aqui está o que procurar e o que evitar:

PROCURE

EVITE

Vitamina D3 (não D2)

Betacaroteno em dose alta (especialmente se você fuma)

Metilcobalamina ou cianocobalamina B12

Vitamina A acima de 10.000 UI por dia

Folato (metilfolato) ou ácido fólico em níveis da IDR

Vitamina E acima de 400 UI por dia

Iodo em vitaminas pré-natais (muitas vezes omitido)

Ferro se você for mulher pós-menopausa ou homem (a menos que prescrito)

Nutrientes próximos de 100% do Valor Diário, não 500%

Vitamina D acima de 4.000 UI por dia sem testes

Produtos de fabricantes confiáveis com testes de terceiros (USP, NSF)

Produtos com quantidades de ingredientes vagas ou misturas proprietárias

O veredito final

Multivitamínicos não são mágicos. Eles não substituem comer vegetais, se exercitar, dormir ou parar de fumar. Para a maioria dos adultos saudáveis, eles não oferecem benefício comprovado para prevenir doenças graves. Mas, para grupos específicos, eles não são apenas úteis. São essenciais.

A ciência é clara: suplementação direcionada, na pessoa certa, na dose certa, na hora certa, é medicina baseada em evidências. Tomar pílulas universalmente, por todo mundo, independentemente da necessidade, é mais superstição do que ciência.

SIM, COM CERTEZA

TALVEZ

PASSE LONGE

Grávidas/planejando gravidez, mulheres que amamentam, veganos, adultos acima de 60 anos, pós-cirurgia bariátrica, usuários de metformina ou IBP

Adultos mais velhos que querem suporte para memória, pessoas com pouca exposição ao sol, qualquer pessoa com pouca variedade na dieta

Adultos saudáveis com dietas equilibradas; fumantes tomando betacaroteno; qualquer pessoa tomando anticoagulantes sem orientação médica

Antes de gastar US$ 20 a US$ 40 por ano com um multivitamínico (o que realmente não é muito dinheiro), pergunte ao seu médico uma pergunta simples: considerando minha idade, dieta, histórico médico e medicamentos, eu realmente preciso disso? A resposta pode te surpreender.

Nota de referência clínica: este artigo é baseado em evidências clínicas revisadas por pares, incluindo a revisão sistemática do USPSTF de 2022 (mais de 739.000 participantes), os estudos COSMOS e COSMOS-Mind, a revisão de micronutrientes de 2025 do New England Journal of Medicine, as diretrizes de B12 de 2025 do American Family Physician e as diretrizes de hipertensão de 2025 da ACC/AHA. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar ou interromper qualquer suplemento.

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