
Entre em qualquer supermercado, e você verá corredores cheios de garrafas coloridas prometendo de tudo, desde “suporte imunológico” até “poder cerebral.” Só nos Estados Unidos, as pessoas gastam bilhões de dólares por ano com vitaminas e suplementos.
No entanto, pesquisas científicas mostram que, para a maioria das pessoas saudáveis que seguem uma dieta regular, esses comprimidos oferecem pouco ou nenhum benefício. Então, por que continuamos tomando-os e quando eles realmente se tornam perigosos?
A propósito, sou um médico licenciado há mais de 40 anos que estuda suplementos há 16 anos.
A Psicologia do “Por Precaução”
Se a ciência diz que eles não ajudam, por que o setor está em expansão? Há algumas razões psicológicas:
A Mentalidade de “Apólice de Seguro”: Muitas pessoas tomam um multivitamínico diário como uma rede de segurança. Elas pensam: “Mesmo que não ajude, não pode fazer mal.”
O Apelo do Naturalismo: Muitas vezes caímos na falácia do “apelo à natureza” — a ideia de que, porque um suplemento vem de uma planta ou de um mineral, ele é automaticamente mais seguro do que um medicamento “sintético”.
A Ilusão de Controle: Em um mundo em que não podemos controlar a poluição ou o envelhecimento, tomar um comprimido parece um passo ativo para “fazer alguma coisa” pela nossa saúde.
Quando os Suplementos se Tornam um Desperdício de Dinheiro
Para a grande maioria das pessoas, um multivitamínico é essencialmente “urina cara.” Seu corpo é altamente eficiente; ele obtém as vitaminas de que precisa da sua alimentação e elimina o excesso pelos rins.
Se você segue uma dieta que inclui frutas, verduras, proteínas e grãos, é provável que já esteja atingindo suas metas. Tomar um multivitamínico além disso não faz de você “mais saudável” — só dá aos seus rins mais trabalho. Além disso, alguns estudos mostraram que o uso prolongado de multivitamínicos não reduz de fato o risco de doenças cardíacas ou câncer.
Os Perigos Ocultos: Quando o “Natural” Faz Mal
A mentalidade de que “não pode fazer mal” é, na verdade, um mito perigoso. Como os suplementos não são regulamentados tão rigorosamente quanto os medicamentos prescritos, eles podem causar efeitos colaterais ou até níveis tóxicos de certos nutrientes.
Vitamina A (Beta-Caroteno): Embora a vitamina A seja boa para os olhos, tomar demais na forma de suplemento tem sido associado a um aumento do risco de câncer de pulmão em fumantes e pode causar danos ao fígado.
Vitamina E: Altas doses de suplementos de vitamina E têm sido associadas a um risco aumentado de insuficiência cardíaca e até morte prematura em alguns ensaios clínicos.
Cálcio: Obter cálcio de queijo e couve é ótimo para os ossos, mas tomar comprimidos de cálcio em altas doses tem sido associado a um risco maior de acúmulo de cálcio nas artérias (placa), o que pode levar a ataques cardíacos.
A Conclusão
Há absolutamente casos em que suplementos são necessários — como Vitamina D para pessoas em climas do norte, B12 para veganos, ou Ácido fólico para gestantes. No entanto, essas são necessidades médicas específicas.
Tomar um punhado de comprimidos sem um exame de sangue para comprovar uma deficiência é como adicionar óleo extra a um carro que já está cheio; isso não faz o carro funcionar melhor e talvez apenas suje o motor.
Comparação de Nutrientes: Alimentos vs. Pílulas
Veja como uma “dieta regular” facilmente supera um suplemento. A maioria das pessoas não percebe que as vitaminas nos alimentos muitas vezes são melhor absorvidas pelo corpo porque vêm com fibras e gorduras saudáveis.

Algumas comparações entre alimentos e pílulas
O Fator do “Desperdício”: Absorção vs. Eliminação
Quando você engole um comprimido de que seu corpo não precisa, ele segue um caminho específico. Como seu sangue já está “saturado” (cheio) de vitaminas do café da manhã ou do almoço, seu fígado e seus rins precisam trabalhar horas extras para filtrar o suplemento. Isso não é uma coisa boa.
Além disso, como os suplementos não são prescritos, ninguém faz uma checagem de contraindicações com os seus medicamentos existentes, e isso pode ser desastroso.
Por exemplo, a CoQ10, frequentemente recomendada para pessoas que tomam estatinas, também pode interferir na capacidade dos anticoagulantes de fazerem seu trabalho, que é impedir a formação de coágulos sanguíneos. Probióticos tomados dentro de duas horas após tomar um antibiótico podem reduzir a eficácia do antibiótico. Há evidências de que a ashwagandha, cada vez mais popular, pode interagir com medicamentos usados para diabetes e pressão alta, bem como com imunossupressores, sedativos, anticonvulsivantes e medicamentos de hormônio tireoidiano. Consultar um médico é sempre sensato ao combinar medicamentos prescritos e suplementos.
Por Que Ainda os Tomamos
A indústria de suplementos gasta milhões em marketing para fazer você se sentir “incompleto.” Eles usam termos como “Biodisponível” ou “Força Clínica” para soar científicos. Na realidade, a maneira mais “comprovada clinicamente” de permanecer saudável é uma dieta variada e a detecção precoce de doenças, não um frasco de comprimidos.
Então, se você quer manter os fabricantes de suplementos gordos e felizes, continue gastando seu dinheiro suado indiscriminadamente com base em seu marketing eficaz.
Nota Importante: Nunca pare de tomar um suplemento que tenha sido especificamente prescrito pelo seu médico para uma condição diagnosticada (como anemia ou osteoporose) sem consultar um médico.
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